O Casal Homoafetivo: esta “novidade” antiguíssima!

A homossexualidade, enquanto possibilidade de orientação sexual, nasce praticamente junto com a humanidade (https://sites.google.com/site/lucappellano/breve-historico-da-homossexualidade-humana) e tão logo o ser humano descobriu-se capaz de sentir e demonstrar afeto, paralelamente à heteroafetividade, foi possível também o desenvolvimento da homoafetividade.

Da mesma maneira que, em determinado momento da história, as relações sexuais entre sexos opostos deixaram de ser fortuitas ou casuais, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo também passaram a estar ligadas aos vínculos afetivos, confiança e cumplicidade recém experimentados. Surgiu o casal!

Quando em nossos tempos, em pleno século XXI, muitos conservadores e reacionários se engajam numa verdadeira “cruzada” não apenas contra a regulamentação e proteção do Estado às Uniões Homoafetivas, mas aos próprios homoafetivos e seus direitos cidadãos, quando mesmo a academia nos nega a identidade e passa a considerar, de forma bizarra, a homossexualidade como mera construção social/cultural (vide:https://diversidade100fronteiras.wordpress.com/2012/11/23/a-teoria-queer-avanco-ou-retrocesso/ ), é importante recuperarmos a nossa própria HISTÓRIA, enquanto movimento social inclusive, pois por mais frondosa que seja a copa da árvore, o que a sustenta e garante a sua sobrevivência, são suas raizes!

Deixamos claro que aqui existe apenas um pequeno “apanhado” de casais homoafetivos e inclusive vários de nossos detratores irão exatamente denunciar a nossa suposta “desonestidade intelectual” (como dirão) por apresentarmos uma amostragem tão reduzida. O que ocorre, em nossa opinião, é que a tentativa historicamente construída (muito especialmente à partir do Concílio de Trento, em 1545) da implantação compulsória da heteronormatividade, inclusive mediante medidas coercitivas (como aconteceu na Inquisição) praticamente invisibilizou os homossexuais, de forma geral, e os casais homoafetivos, de maneira específica.

Nem a Igreja Trentina, as Igrejas Reformadas ou a Inglaterra Vitoriana, com a “Lei Anti-Sodomia”, aceitariam pacificamente a existência de casais homossexuais, legalmente casados ou não, ainda que em tempo histórico longínquo e, desta maneira, sua existência foi sendo apagada. Neste processo de apagamento, Alexandre e Hefestion ou Aquiles e Pátroclo tornaram-se “amigos” (ainda que, numa via de mão dupla, em determinado ponto da história, para perplexidade de muitos, o termo “amigo” e “amigado” tenham tido uma conotação de União Estável, homo ou heteroafetiva, em nossa sociedade) e outros, como Sérgio e Baco, por exemplo, tiveram a sua própria existência histórica negada.

Os casais que conseguiram sobreviver, enquanto memória pelo menos, até os nossos dias, são aqueles que tiveram feitos e/ou permanência tão excepcional que lhes garantiram uma visibilidade absoluta aos contemporâneos e, desta maneira, não puderam ser tão facilmente negados ou apagados.

Este breve compilado é uma homenagem aos milhões de casais esquecidos, apagados e invisibilizados ao longo da história. Que eles consigam se enxergar e se sentir representados nestes pouco mais de uma dezena de sobreviventes.

I – Personagens Históricos (vida real):

1.Egito – Niankhkhnum e Khnumhotep

 pintura mural, por volta de 2380 a 2320 a.C.

pintura mural, por volta de 2380 a 2320 a.C.

Quando egiptólogos entraram na tumba pela primeira vez, há mais de quatro décadas, eles esperavam ser surpreendidos. Exploradores de tumbas recém-descobertas sempre esperam isso, e daquela vez eles não ficaram decepcionados –eles ficaram confusos. Era 1964, nos arredores do Cairo, perto da famosa Pirâmide Step, na necrópole de Saqqara e a uma curta distância de carro da Esfinge e das pirâmides de Gizé. A tumba recém-descoberta não continha nenhuma múmia real ou jóias deslumbrantes. Mas os exploradores ficaram imóveis quando a luz de suas lanternas de querosene iluminaram a arte na parede na câmara mais sagrada.

Lá, gravada na pedra, estavam as imagens de dois homens abraçados. Seus nomes estavam inscritos acima: Niankhkhnum e Khnumhotep. Apesar de não serem da nobreza, eles eram altamente estimados no palácio como manicures chefes do rei, por volta de 2380 a 2320 a.C., em um período conhecido como quinta dinastia do Antigo Reinado. Cuidar da aparência do rei era uma ocupação honrada.

Os arqueólogos ficaram espantados. Era extremamente raro no antigo Egito uma tumba da elite ser compartilhada por dois homens de posição igual. A prática habitual era tais templos mortuários serem o local de descanso de um homem proeminente, sua esposa e filhos.

E era quase incomum um casal de mesmo sexo ser retratado em um abraço. Em outras cenas, eles também eram mostrados de mãos dadas e tocando os narizes, a forma preferida de beijo no antigo Egito. (vide: https://sites.google.com/site/lucappellano/homossexualidade-no-egito-antigo )

É evidente que para um povo que amava tanto a estabilidade e a “imutabilidade” a ponto de preservar os corpos e artefatos domésticos, estabelecer a condição social e status afetivo para toda a eternidade seja significativo. Com toda certeza os dois homens ali sepultados, com os seus pertences, não mantinham um relacionamento fortuito ou passageiro e as pinturas nas paredes da tumba preservaram o seu abraço e o seu beijo para todo o sempre!

2.Mundo Clássico (Helênico) – Alexandre e Heféstion

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“Quem pensas que sou? Sou aquele que está contigo. Quem pensas que vês senão o outro que chamas de ti mesmo? Aonde vais também vou, o que fazes também faço. Tudo que é teu reflete-se em mim como a Lua reflete o Sol. Nada sou senão a imagem que projetas. Sou quem és, porque és a outra imagem de mim mesmo. Heféstion também é Alexandre.” (http://hefestionealexandre.blogspot.com.br/)

“Os arqueólogos gregos conseguiram encontrar aquele que é, presumivelmente, o jazigo do “deslumbrante Heféstion” – amigo de infância e amante de Alexandre Magno, rei da Macedónia e um dos mais importantes conquistadores da História.

O túmulo, que fica nas proximidades da cidade grega de Salónica e é datado do século IV A.C., encontrava-se a mais de um metro e meio de profundidade. Localiza-se na antiga cidade de Anfípolis, que foi um centro importante do reino da Macedónia. Destaque para a dimensão do complexo funerário, agora encontrado, que foi construído em mármore. Entre os adornos existem esfinges, cariátides e um mosaico que representa o rapto da Perséfone. Este conjunto levou os arqueólogos a pensar que a pessoa enterrada seria uma personalidade importante, nomeadamente Heféstion. (…)

Quando Heféstion morreu, Alexandre ficou tão abalado, que ordenou crucificar o médico que não conseguiu salvar o amante. A escritora Mary Renault, autora de romances históricos sobre a Grécia Antiga, descreveu o funeral de Heféstion como “o mais luxuoso da História”. (http://dezanove.pt/descoberto-o-jazigo-de-hefestion-o-715180)

3.Mundo Clássico (Romano) – Adriano e Antinoo

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“A história de Adriano e Antínoo é repleta de mistérios e lendas que reforçaram a sua presença na memória do Ocidente  e foi apropriada como importante referência histórica do imaginário de comunidades homosexuais. Isto porque este conto é um dos poucos que valoriza o amor incondicional entre dois homens, os quais se entregaram de corpo e alma numa relação, sem jamais esconderem suas orientações sexuais.

Esta história se passou durante o segundo século da era cristã e foi protagonizada pelo imperador romano Adriano, que esteve responsável pelo governo deste vasto império em seu momento de maior extensão territorial  e teve seu nome vinculado a importantes medidas de governo como ter organizado as províncias imperiais, compilado o primeiro esboço de leis chamado Edito perpétuo (o qual serviu de base para a criação do porsterior Codice Jurus Civilis, de Justiniano) e incentivado a arte, filosofia, literatura educação. Além do mais, procurou oferecer estrutura à práticas agrícolas, cuja produção seria destina às províncias imperiais, onde seriam comercializadas.” (http://paleonerd.com.br/2015/06/11/adriano-e-antinoo-todo-mundo-ama/)

O amor do jovem Antinoos por Adriano sugere um sentido pedagógico conhecido da tradição grega e que, se considerado superficialmente, surge como exemplo altamente questionável de pederastia. A tradição mística posterior chama, porém, a atenção para a necessária compreensão figurativa desse sentido pedagógico de imagens.

A vivência do amor segundo os sentidos surge como imagem de uma propedêutica à experiência espiritual da união espiritual com a suprema divindade. A morte de Antinoos representaria aqui uma imagem do aniquilamento e divinização na união, e todo o período anterior das relações teria figurativamente um sentido preparatório ou educativo da alma. Significativamente, como uma das narrativas relativas ao ato de morte de Antinoos sugere, que diz que este teria ocorrido para evitar aproximações carnais, esse amor deve ser compreendido antes como amor espiritual.(…)

No local de morte de Antinoos, Adriano edificou a cidade de Antinoupolis e um mausoléu. A respeito dessa construção tem-se menção em hieroglifos em obelisco hoje conservado em Roma.  Importantes centros do culto foram, além da cidade da sua morte e da sua cidade natal, Alexandria e Mantineia na Arcádia, assim como Lanuvium, no Lácio. De quatro em quatro anos ali se festejavam os grandes jogos de Antinoos. (http://revista.brasil-europa.eu/144/Antinoos-e-Adriano.html)

“Adriano estava imbuído por um sentimento nobre que refletia na forma de governar “Roma, amor: A divindade da cidade eterna identificava-se pela primeira vez com a mãe do amor, inspiradora de todas as alegrias. Esse era um dos planos da minha vida. O poderio romano assumia assim seu caráter cósmico e sagrado, a forma pacífica e tutelar que eu ambicionava conferir-lhe”. A morte de seu amado obscureceu seu mundo…

“Evidentemente, não incrimino a preferência sensual, demasiado vulgar, aliás, que determinava minhas escolhas em matéria de amor. Paixões semelhantes atravessaram constantemente minha vida; esses freqüentes amores só me haviam custado, até então, um mínimo de juramentos, mentiras e males […]. O hábito nos teria conduzido ao fim sem glória, mas sem desastre, que a vida oferece a todos os que aceitam seu lento enfraquecimento pela saciedade. Teria visto a paixão transformar-se em amizade, como querem os moralistas, ou em indiferença, o que é mais freqüente.”
Memórias de Adriano, Marguerite Youcenar (http://indocileindizivel.blogspot.com.br/2010/11/antinoo-e-adriano-uma-historia-de-amor.html)
4.Mundo Clássico (Roma Cristã) – Perpétua e Felicidade
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“O historiador da Universidade de Yale John Boswell (1947-1994), autor de inúmeras obras sobre o assunto, publicou suas pesquisas sobre a existência e a historia de santos gays em dois livros com maior ênfase: Christianity, Social Tolerance and Homosexuality (Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade) e Same-Sex Unions in Premodern Europe (Uniões do Mesmo Sexo na Europa Pré-Moderna).

Em seus estudos, Boswell aborda desde a historia de Perpétua e Felicidade na Antiguidade (ama e escrava que se tornaram santas populares entre a comunidade gay devido ao profundo afeto que as unia)”…(http://ceticismo.net/2010/09/01/os-santos-gays-na-igreja-catolica/)

Há um famoso bairro, conhecido pelo seu complexo gastronômico, na cidade de Curitiba-PR, que tem o nome de “Santa Felicidade”.

5.Mundo Clássico (Roma Cristã)- Sérgio e Baco
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“No começo do século IV, na região onde atualmente fica a Síria, viviam Sérgio de Resapha e Baco de Barbalistus, considerados um casal de amantes. Nobres romanos, eles tinham altos cargos no exercito do imperador César Maximiliano, quando então se converteram e se tornaram cristãos. Entretanto, como o cristianismo era considerado uma seita perigosa, eles foram denunciados, presos e torturados brutalmente para abjurarem a fé crista e voltarem aos deuses romanos. Baco morreu logo, mas Sérgio teve de suportar intensos sofrimentos ate ser, finalmente, decapitado.

O fato de formarem um casal, contudo, não representava um problema. Segundo Boswell, não só a Igreja Católica da época acolhia bem os homossexuais como também celebrava casamentos entre eles, o que perdurou ate o século XV.”(http://ceticismo.net/2010/09/01/os-santos-gays-na-igreja-catolica/)

“Na Síria após a canonização, o Imperador Justiniano construiu, em honra de Sergio, igrejas em Constantinopla e Acre. A primeira foi transformada em mesquita e tem em seu interior raros exemplares da arte bizantina. Sergio foi nomeado patrono da Síria

Em Roma existe uma igreja, construída no século VII, consagrada a Sergio e Baco. Os dois santos são representados pela arte cristã como soldados com roupas do exército e empunhando palmas de flores

Na Igreja ortodoxa no Monte Sinai, no Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, construído por ordem da Imperatriz Helena de Bizâncio, são encontrados ícones de São Sergio e São Baco representados lado a lado, segurando, juntos, uma cruz.”(https://grisalhos.wordpress.com/2013/07/22/os-santos-gays-catolicos/)

6.Europa Medieval – Ricardo “Coração de Leão” e Felipe II da França

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As aventuras homossexuais do rei inglês Ricardo I (1157-1199) eram notórias na época. Um de seus casos, quando ele ainda era duque de Aquitânia, foi com outro nobre, Filipe II, rei da França. Uma crônica da época afirma: “Comiam os dois todos os dias à mesma mesa e do mesmo prato, e à noite as suas camas não os separavam. E o rei da França amava-o como à própria alma”. Outros monarcas europeus, como Henrique III da França (1551-1589) e Jaime IV da Escócia e I da Inglaterra (1566-1625), também tiveram vários amantes do mesmo sexo.(http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml)

7.Europa do Renascimento – João II de Castela e Alvaro de Luna

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O casal mais famoso desse período foi Juan II e o seu amante Álvaro de Luna. O assassinato de Álvaro de Luna pelos cristãos se tornou no século XVII um evento bastante representativo da repressão à sodomia. Granada era vista como um lugar frequentado predominantemente por intelectuais e artistas abertamente sodomitas. Os cristãos acusavam os judeus de terem introduzido a sodomia na Espanha.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_na_Idade_M%C3%A9dia)

Na Espanha de Felipe II, partilharam de opiniões semelhantes figuras influentes no plano intelectual como Pe. Pedro de Ribadeneira e o Jesuíta Juan de Mariana. Em seu Tratado de la Religión y Virtudes que debe tener el Príncipe Cristiano para gobernar y conservar sus Estados. Contra lo que Nicolas Maquiavelo y los políticos de este tiempo enseñan (1595), Ribadeneira mostrava-se extremamente reticente acerca da presença de favoritos, da mesma forma Juan de Mariana em sua De rege et Regis instituione (1599), em que, guiado por princípio ético tomista, identificava os validos com os adulares, os favoritos que faziam quase sempre com que o monarca se afastasse do resto do corpo místico que se constituía afinal na integralidade do Reino, levando-o a cometer injustiças e arbitrariedades. Um traço interessante nesses ataques era a recorrência em citar um acontecimento do passado hispânico, em que, durante o reinado de Juan II, seu favorito, Álvaro de Luna, teria sido o pivô de uma verdadeira guerra civil no seio da corte. Esse fato tornou o reinado de Juan II um dos mais conturbados de que se teve notícia, tendo entrado para a memória da cultura política ibérica como exemplo do caráter pernicioso da ação dos privados.(http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882005000200009)

8.Europa Barroca – Cristina da Suécia e Ebba Sparre

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Cristina era mal-humorada, inteligente e interessada em livros e manuscritos, religião, alquimia e ciência. Ela queria que Estocolmo se transformasse na “Atenas do Norte”. Influenciada pela Contrarreforma, ela cada vez mais se atraiu pela cultura barroca e mediterrânea que desenvolveu-se longe de seu pais. Seu estilo de vida incomum e vestuário e comportamento masculino inspirariam vários romances, peças teatrais, óperas e filmes.(…)

Apesar de Cristina ter um desenvolvimento prematuro e ser claramente adversa a todas as coisas “femininas”, o governo ainda esperava que se casasse e tivesse herdeiros.(…)

Dormia três a quatro horas por noite e ocupava-se principalmente com os seus estudos. Esquecia-se de pentear o cabelo, vestia-se à pressa e usava sapatos de homem por serem mais convenientes. Contudo, dizia-se que tinha o seu charme e o cabelo rebelde tornou-se uma imagem de marca que lhe assentava. A sua melhor amiga feminina e a maior paixão da sua juventude era Ebba Sparre, a quem chamavam Bella. Cristina passava grande parte do seu tempo com la belle comtesse e chamava a atenção das pessoas para a sua beleza. Ebba era o oposto de Cristina: tímida quando a rainha era extrovertida, sem interesses intelectuais e com os comportamentos femininos dos quais a rainha não gostava. Apesar de tudo, aceitou a relação porque podia ser o elo mais forte. As duas dormiam na mesma cama.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristina_da_Su%C3%A9cia)

9.Europa do Séc. XIX – Ludwig II da Baviera e Richard Wagner

http://www.karadar.com/photoGallery/wagner.html

Luís havia acabado de completar 18 anos quando o pai morreu subitamente, deixando-lhe o trono da Baviera.[2]Embora não estivesse totalmente preparado para o cargo, sua juventude e boa aparência o tornaram popular na Baviera. Um dos seus primeiros atos como rei foi convocar o compositor Richard Wagner para a sua corte em Munique poucas semanas depois da sua ascensão ao trono.[6] Wagner tinha uma notória reputação de revolucionário e namorador e estava constantemente em fuga dos credores. Luís admirava Wagner desde a adolescência, depois de ter assistido às óperas Lohengrin e Tannhäuser aos 15 anos. As composições de Wagner apelavam à imaginação e fantasia do rei e preenchiam um vazio emocional. Em 4 de maio de 1864, Wagner, aos 51 anos de idade, foi recebido em audiência com Luís II no Palácio Real de Munique.[nota 2] Após sua primeira reunião com o rei, Wagner escreveu: “Ah, é tão elegante e inteligente, emotivo e encantador, que temo que sua vida derreta neste mundo vulgar como um sonho fugaz dos deuses.”[6] O rei foi provavelmente quem salvou a carreira de Wagner. Acredita-se que as composições posteriores de Wagner, bem como sua estreia no prestigiado Teatro Real de Munique (atual Ópera do Estado Bávaro), jamais teriam acontecido sem o patronato de Luís.

Um ano após a audiência com o rei, Wagner apresentou a aclamada ópera Tristan und Isolde em Munique. Mas o comportamento extravagante e escandaloso do compositor desagradou o povo conservador da Baviera e Luís foi forçado a pedir a Wagner que deixasse a capital seis meses depois, em dezembro de 1865.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_II_da_Baviera)

Pressionado a conceber um herdeiro para o trono, Ludwig II ficou noivo da duquesa Sophie Charlote. Mas o noivado durou apenas poucos meses e o rei cancelou o compromisso. Ele jamais casaria. Sua amizade íntima com vários homens, como o seu escudeiro e chefe de cavalaria Richard Hornig, o ator de teatro húngaro Josef Kainz e o cortesão Alfons Weber, levantaram suspeitas de que ele seria homossexual. Anotações nos seus diários demonstram que o rei lutou contra a homossexualidade ao longo de sua vida.(https://aleomanha.wordpress.com/2012/06/21/neuschwanstein-wer-totete-ludwig-ii-quem-matou-ludwig-ii/)

10.Inglaterra Vitoriana – Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas

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“Como te chamas?”, disse ele, “Meu nome é Amor.”
Imediatamente o primeiro voltou-se para mim
E exclamou: “Ele mente, pois seu nome é Vergonha,
Mas eu sou o Amor e costumava ficar
Sozinho neste belo jardim até que ele chegou,
À noite, sem ser convidado. Sou o verdadeiro Amor.
Encho os corações de rapazes e moças  de chama mútua”.
Então, suspirando, disse o outro: “Seja como queres, Eu sou o Amor que não ousa pronunciar o próprio nome”.

“Casado há um par de anos, Wilde é seduzido por Robert Ross. Mas é a relação com Lord Alfred Douglas, Bosie, como todos lhe chamavam, que o leva à prisão. Até lá, Bosie, uma criatura egoísta, vaidoso, violento e sem carácter, transforma a vida de Wilde num inferno.

Acusado pelo pai de Bosie, o marquês de Queensberry, de «sodomita», Wilde decide ripostar e levar o marquês a tribunal por difamação. O julgamento só serve para expor Wilde e inocentar Queensberry. Oscar Wilde é levado para a cadeia, julgado por conduta indecente e condenado a dois anos de trabalhos forçados. A vida do Wilde é virada do avesso, Constance e os filhos mudam de apelido – Wilde nunca mais os viu. Os dois anos passados na prisão revelam-se um autêntico inferno.

Sai da prisão uma ruína. Volta a encontrar-se com Bosie, mas nada era como dantes e «quando o meu dinheiro acabou, foi-se embora», escreve Wilde a um amigo a propósito de Bosie.

Aos 46 anos e numa pobreza extrema, Oscar Wilde morre nos braços do seu amigo de sempre, Richard Ross. «Estou a morrer acima das minhas possibilidades», diz. Bosie chega a correr ainda a tempo do funeral, mas só para protagonizar o seu próprio espectáculo.”(http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/dia-dos-namorados/historias-de-amor-tragicas-oscar-wilde-e-lord-alfred-douglas)

11.Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga – Espanha, início do século XX

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Em 08 de junho de 1901, Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga se casaram na Igreja de São Jorge, na cidade galega de La Coruña, no noroeste da Espanha. Para a ocasião, Elisa usou o nome de Mario e vestiu um terno masculino.

Dias antes, o mesmo padre havia batizado o jovem Mario, que contara que era filho de pais ingleses protestantes e queria se converter ao catolicismo.

Dada a aparente devoção do rapaz, o sacerdote também não desconfiou quando ele disse que queria se casar com Marcela, a mulher com quem tinha vivido nos últimos anos.

Mais de um século depois, o casamento de Marcela e Elisa continua a inspirar livros, exposições e artigos.(http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-37954137?SThisFB)

12.Australia, Contemporanidade – Timothy Conigrave e John Caleo

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Dois garotos que se conhecem numa escola para meninos jesuítas católicos, durante a adolescência descobrem o amor, ainda cedo e percorrem o preconceito e a homofobia, daquela década. (http://www.pipoqueiros.com/single-post/2016/06/07/%E2%80%98Holding-the-Man%E2%80%99-a-paix%C3%A3o-entre-dois-homens-vai-al%C3%A9m-dos-muros-da-escola)

Sensível e extremamente emocionante, nos mostra seu relacionamento com John (John Caleo) durante 15 anos, começando quando ambos estavam no Ensino Médio.
Tudo bem até aqui, mas este não é apenas mais um filme sobre a homoafetividade, a intolerância e o preconceito, simplesmente porque o intervalo de tempo em que ele transcorre (do final dos anos 70 até meados dos anos 90) tem a riqueza e a peculiaridade de partir de uma época em que ainda vigorava na Austrália, onde se desenvolve o enredo, a “Lei anti-sodomia”, herdada do Império Britânico para chegar aos levantes de jovens e luta pelos direitos civis LGBTs naquele país. Também é a época em que começaram a ser relatados os primeiros casos de AIDS e que ainda não haviam sido desenvolvidos medicamentos eficientes para controle da doença: o diagnóstico de HIV estava quase sempre atrelado a um atestado de óbito, como acontece efetivamente com ambos os protagonistas. (https://diversidade100fronteiras.wordpress.com/2016/10/22/holding-the-man/)

II- Personagens Mitológicos:

1.Apolo e Jacinto

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Jacinto (em grego antigo: Υάκινθος), na mitologia grega, era um jovem mortal muito amado pelas divindades, principalmente por Apolo que o seguia aonde quer que ele fosse. Certa vez em que ambos se divertiam com um jogo, Apolo lançou o disco com tal habilidade para o céu que Jacinto, olhando admirado, correu para o apanhar, ansioso por fazer a sua jogada. Zéfiro (o vento oeste) também amava o jovem e, enciumado pela preferência por Apolo, mudou a direção do disco para que este o atingisse. Ao bater na testa de Jacinto, o disco fez com o jovem caísse morto naquele instante. Apolo correu em desespero até ele e com toda sua habilidade médica tentou reavivar o corpo de Jacinto, mas a sua cura estava além de qualquer habilidade.

Apolo se sentiu tão culpado por sua morte que promete que Jacinto viveria para sempre com ele na memória do seu canto. Sua lira celebraria-o, seu canto entoaria a canção de seu destino e ele se transformaria numa flor. Assim, o sangue de Jacinto que manchara a erva, se transforma numa flor de um colorido mais belo que a púrpura tíria. Uma flor muito semelhante ao lírio, porém, roxa. Nela foi gravada a saudade e o pesar de Apolo com o lamento “Ai! Ai!” que ele escreveu na flor, como até hoje se vê. A flor carrega seu nome e renasce todas as primaveras relembrando o seu destino.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacinto_(mitologia)

2.Aquiles e Pátroclo:

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O relacionamento entre Aquiles e Pátroclo é um elemento-chave dos mitos associados à guerra de Troia. Sua natureza exata tem sido um assunto de disputa em ambos o período clássico e tempos modernos. Na Ilíada, é nítido que os dois heróis tinham uma amizade profunda e extremamente significante, mas sem quaisquer evidências de um elemento romântico ou sexual. Ambos haviam sido educados juntos por Fênix, uma vez que Pátroclo fora criado na casa de Peleu, pai de Aquiles.

(…)O prestígio da obra de Homero levou comentaristas desde o período clássico até hoje a interpretar o relacionamento através das lentes de suas próprias culturas.[1] Assim, na Atenas do século V a.C. o relacionamento foi comumente interpretado como pederástico.[2] Leitores contemporâneos são mais prováveis a interpretar os dois heróis também como “companheiros de guerra” não-sexuais ou como um casal homossexual que serve a causa de igualdade de direitos. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquiles_e_P%C3%A1troclo)

Heitor matara Pátroclo, amigo e amante de Aquiles, imaginando tratar-se do próprio. Sabe que, cedo ou tarde, terá de encarar a fúria do verdadeiro rival. Aquiles seguira para a guerra, quase dez anos antes, sabendo que jamais regressaria à Grécia natal. Agora quer que Heitor, o príncipe herdeiro de Tróia, seja seu derradeiro troféu. O combate será desigual – e Heitor sabe disso. Mesmo assim, naquela manhã cheia de agouros, após beijar sua mulher e seu filho, parte serenamente ao encontro de seu destino: ser morto pela lâmina do grego e ter seu corpo arrastado diante das muralhas que tão bravamente defendera, sob o olhar de sua família e seu povo. (https://gandra.wordpress.com/patrio-poder/heitor-e-aquiles-2/)

III – Personagens da Literatura e do Cinema:

  1. Ascilto e Encolpio (Satyricon, Federico Fellini, Itália, 1970)

Inicialmente diremos que SATYRICON, realizado por Federico Fellini em 1970, não é exatamente uma produção emblemática do neorrealismo italiano. Se desejássemos aludir, dentre a vasta produção deste grande cineasta, a um filme que servisse de paradigma, falaríamos de AMARCORD ou então LA NAVE VÀ, mas, embora não tenha tido a posteridade destes, SATYRICON é o documento pungente da relação que a modernidade guarda com a idade clássica e da relação que a Itália moderna estabelece com o império romano.

Trata-se de um trabalho que é antes de tudo arqueológico, já que é a recuperação de Petrônio Arbitro, um autor romano, mas, também uma obra de arte, já que este passado clássico é recriado, não reapresentado. Trata-se do real em segunda instância, da releitura que o artista (cineasta) faz do texto literário utilizado e da época na qual ele foi escrito.

O enredo gira ao redor do triângulo amoroso formado pelos belos estudantes de artes Ascilto e Encolpio, que compartilham a paixão pelo adolescente Gitone. Ascilto conquista o amor de Gitone e parte com ele do cortiço onde vivia com Encolpio . Há um terremoto, o cortiço é destruído e tem então início as aventuras de Encolpio: participa do banquete de um novo rico que se julga literato, rapta, juntamente com Ascilto, o suposto Hermafrodite (semideus, filho de Venus e Mercúrio e que possui características de ambos os sexos) que vem a morrer, vivendo à seguir com o companheiro e uma escrava negra um idílio amoroso na villa abandonada de um casal patrício que se suicidou após libertar todos os escravos. Encolpio é então raptado por um mercador de escravos, com quem acaba se casando no mar. Por fim, luta com um minotauro e torna-se subitamente impotente, tendo de buscar o auxílio de uma feiticeira para recuperar a potência.(https://sites.google.com/site/lucappellano/tres-formas-de-amar-um-olhar-sobre-o-cinema)

2. Amaro e Aleixo (O Bom Crioulo, Adolfo Caminha, Rio de Janeiro, 1895)

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Amaro, um escravo fugido, alista-se na Marinha, tornando-se um soldado exemplar. Forte e gentil com todos, recebe o apelido de Bom-Crioulo. Dez anos se passam e Amaro não mostra a mesma disposição para o trabalho, nem tampouco a mesma gentileza, notadamente quando se entrega à bebida. Seu estado de ânimo se altera também na presença de certo grumete, Aleixo, com quem se envolve sexualmente. Amaro conheceu certa vez o amor de uma mulher, mas só agora descobre sua verdadeira inclinação.

Chegam ao Rio de Janeiro e se instalam em uma pensão na Rua da Misericórdia, cuja proprietária, D. Carolina, sabedora da indisposição de Amaro para mulheres, arranja um quarto discreto para os dois. Ali, Aleixo cedia a todos os desejos do amante, como o de observá-lo nu.

Um ano se passa, durante o qual os dois marinheiros levam uma vida matrimonial secreta. Mas Amaro é transferido para outro navio e ocorre a separação que ele tanto temia. Na ausência de Amaro, D. Carolina seduz Aleixo.

Bom-Crioulo, ansioso para rever o amante, desobedece a ordens superiores e, conduzindo um bote de mantimentos, atraca no porto do Rio e se dirige à pensão. Aleixo não aparece durante toda a noite, o que desperta desconfianças e ciúmes em Amaro. (http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/bom-crioulo.html)

Baixar/ler em PDF – http://www.culturatura.com.br/obras/O%20Bom%20Crioulo.pdf

3. Albin e Renato (A gaiola das loucas, França-Itália, Édouard Molinaro, 1978)

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O filme narra a chegada de Laurent Baldi à casa dos pais, um casal homossexual  formado por Renato, o gerente de uma boate drag de Saint-Tropez, e Albin, a atração principal do estabelecimento. Laurent volta para casa para anunciar que está noivo de Andrea, filha do político ultra-conservador Simon. Com a ocorrência de um escândalo sexual em seu partido político, Simon decide casar sua filha com Laurent para poder fazer a mídia esquecer tudo, sem imaginar como é a família do noivo.(https://pt.wikipedia.org/wiki/La_cage_aux_folles_(filme)

Convém notar que, em uma época que a temática estava praticamente proscrita dos dramas, ela podia ser tolerada (e desta forma explicitada) pela comédia.

Ainda que de forma caricata e jocosa, são explicitadas as relações de afetividade das personagens entre si e de ambos em relação ao filho, o fato de que são uma unidade familiar devidamente constituída há décadas e sócios nos negócios. Em grande medida, a família de Albin e Renato é inclusive muito melhor estruturada do do que a família de Simon, que é um político corrupto.

4. Maurice e Clive (Maurice. James Ivory, UK, 1987)

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Baseado no livro semi-autobiográfico de E.M. Foster, o mesmo de Uma Janela Para o Amor que James Ivory também adaptou para o cinema. Produção cheia de classe e com jeitão inglês, o filme tem sua trama situadana Inglaterra do século passado. No centro de tudo, a paixão de dois jovens estudantes de Cambridge, Maurice (James Whilby) e Clive (Hugh Grant). Para garantir seu futuro, temeroso de seus sentimentos homossexuais e de que a relação com Maurice seja descoberta, Clive decide se casar, para desespero do namorado. Um filme delicado e esteticamente deslumbrante, com o toque inconfundível do diretor Ivory na fotografia belíssima e a fascinação pela arquitetura.(https://sites.google.com/site/lucappellano/educacao-e-experiencias-pedagogicas/sexualidade-humana-genero-e-etnia-educar-para-a-diversidade)

5.Caravaggio e Rannucio (Filme “Caravaggio, Derek Jarman, UK, 1986)

As cenas finais (o flashback em que é mostrado como Caravaggio mata Ranuccio, após este revelar que havia matado Lena por ciúme, por amor dele; e a morte de Caravaggio, seguida de uma cena surreal em que sua alma se transforma em anjo e assiste ao próprio fim) são absolutamente fantásticas e só adquirem coerência em virtude da coesão que existe em todo o enredo apresentado.

(…)Tal como Ranuccio – que também mantinha relação afetiva ambígua com Caravaggio e Lena – Colin tomba ao chão, leva a mão ao pescoço e morre. O local dos excessivamente belos não é este mundo! (https://sites.google.com/site/lucappellano/tres-formas-de-amar-um-olhar-sobre-o-cinema)

6. Idge e Ruth (Tomates Verdes Fritos. Jon Avnet, EUA, 1991)

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Evelyn Couch (Kathy Bates) é uma dona de casa emocionalmente reprimida, que habitualmente afoga suas mágoas comendo doces. Ed (Gailard Sartain), o marido dela, quase não nota a existência de Evelyn. Toda semana eles vão visitar uma tia em um hospital, mas a parente nunca permite que Evelyn entre no quarto. Uma semana, enquanto ela espera que Ed termine sua visita, Evelyn conhece Ninny Threadgoode (Jessica Tandy), uma debilitada mas gentil senhora de 83 anos, que ama contar histórias. Através das semanas ela faz relatos que estão centrados em uma parente, Idgie (Mary Stuart Masterson), que desde criança, em 1920, sempre foi muito amiga do irmão, Buddy (Chris O’Donnell). Assim, quando ele morreu atropelado por um trem (o pé ficou preso no trilho), Idgie não conseguia conversar com ninguém, exceto com a garota de Buddy, Ruth Jamison (Mary-Louise Parker). Apesar disto Idgie era bem doce, apesar de nunca levar desaforo para casa. Independente, ela faz seu próprio caminho ao administrar uma lanchonete em Whistle Stop, no Alabama. Elas tinham uma amizade bem sólida, mas Ruth faz a maior besteira da sua vida ao se casar com Frank Bennett (Nick Searcy), um homem estúpido que espanca Ruth, além de ser secretamente membro da Ku Klux Klan. Inicialmente Ruth tentou segurar a situação, mas quando não era mais possível Idgie foi buscá-la, acompanhada por dois empregados. Idgie logo dá a Ruth um emprego em sua lanchonete. Por causa do seu jeito de se sustentar sozinha, enfrentar Frank e servir comida para negros no fundo da lanchonete, Idgie provocou a ira dos cidadãos menos tolerantes de Whistle Stop. Quando Frank desapareceu misteriosamente muitos moradores suspeitaram que Idgie, Ruth e seus amigos poderiam ser os responsáveis.(https://sites.google.com/site/lucappellano/educacao-e-experiencias-pedagogicas/sexualidade-humana-genero-e-etnia-educar-para-a-diversidade)

7.Louis e Lestat (Entrevista com o vampiro, EUA, 1994)

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Porque Louis clama pela morte ela o procura, não na figura do assaltante que o persegue ou da prostituta que o ameaça com a provável doença, mas do vampiro Lestat (Tom Cruise, na sua melhor atuação) que evidentemente e declaradamente se apaixona por Louis e deseja com ele partilhar a eternidade. Que as platéias da época não tenham encarado a relação de Louis e Lestat como um casamento homoafetivo é de se estranhar muito, especialmente depois que ambos, de comum acordo, “adotam” a menina Claudia, tornando-a uma vampira. É Lestat quem se refere a ela como “a nossa filha”. Esta foi talvez a primeira família homoafetiva com dois pais da história do cinema e, inusitadamente, não causou qualquer polêmica.

Talvez não tenha havido polêmica ou estranhamento pelo fato de que se tratava de vampiros e, desta maneira o vínculo entre ambos é o afeto, para além do sexo. No entanto, havemos de recolocar o complicador de que para que Lestat tornasse Louis um vampiro houve entre ambos um vínculo de sangue, onde cada um deles tomou o sangue do outro, o sorveu, com prazer voluptuoso, o que é altamente simbólico. Da mesma maneira, é através do sangue que Claudia se torna uma vampiresa e sua filha.(https://diversidade100fronteiras.wordpress.com/2015/08/11/entrevista-com-o-vampiro-interview-with-the-vampire-the-vampire-chronicles-eua-1994/)

8.Ennis del Mar e Jack Twist(Brokeback Mountain, Ang Lee, EUA, 2005)

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É sintomático que Ang Lee tenha produzido Brokeback Mountain em 2005, logo em seguida ao grande épico do seu professor, Oliver Stone, Alexandre.

Não é apenas a temática ligada à homossexualidade que aproxima os dois filmes. Existe, em ambos os casos, uma vontade de criar personagens reais e palpáveis, de carne e osso, que se aproximem das pessoas comuns e que, portanto, possam possibilitar identificação ou auto-reconhecimento. Todos conhecem alguém que se parece com Jack ou Ennis, que vivencia crises de consciência e problemas cotidianos semelhantes aos deles.

Tomemos como exemplo a cena em que Ennis tem de ir trabalhar e chega com as duas garotinhas, no colo, ao supermercado onde Alma trabalha. Ele as coloca no chão e, enquanto discutem sobre quem poderá tomar conta das meninas, uma delas derruba os potes de conserva de uma prateleira, quebrando vários deles.

A banalidade desta cena faz com que nos identifiquemos com as personagens, criemos um vínculo afetivo, de empatia, em relação às mesmas. (https://sites.google.com/site/lucappellano/cinema-americano-e-sempre-comercial)

Quando, em fins do século XIX, Lord Alfred Douglas afirmou, em seu poema “Dois Amores”, “Eu sou o Amor que não ousa dizer seu nome” não apenas trouxe ao discurso as relações entre homens, mas o fez no registro do elo amoroso. Assim, tomou como referência a definição de São Paulo sobre a sodomia como o pecado que não devia ser nomeado e a reverteu da esfera das práticas sexuais para a dos sentimentos. Feito similar pode ser creditado ao filme de Ang Lee, cujo roteiro adapta e refina o belo conto de Annie Prouxl, originalmente publicado em 1997.

Ennis Del Mar e Jack Twist são dois jovens pobres que se conhecem ao procurar emprego como pastores de ovelhas durante o verão de 1963 em Wyoming, Estado rural e conservador do Oeste americano. Não são, portanto, cowboys, assim como o filme não é um western, pois a história se passa na segunda metade do século XX. Trata-se de um drama que se insere no recente interesse de Hollywood por personagens que encarnam os losers da sociedade americana.

O trabalho duro, a alimentação ruim e a solidão na montanha aproximam o introvertido Ennis do mais expansivo Jack, até que, após uma noite de embriaguez, fazem sexo. No dia seguinte, Ennis afirma que aquilo terminava ali. Jack observa: “Isto não interessa a mais ninguém além de nós”. Ennis diz que “ain’t no queer“, ou seja, não era nenhum anormal ou bicha. O outro também diz que não. Na mesma noite, Ennis procura Jack na cabana, pede desculpas e, dessa vez, eles fazem amor. Assim, passam do encontro físico para o amoroso e iniciam a relação que marcará suas vidas. (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2006000200020)

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Eduardo kamikazeh
    nov 12, 2016 @ 16:14:18

    Tó petrificado com tnt informação.

    Responder

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