Um ano de IMPROVISO PEDAGÓGICO em Campinas!

Março de 2020 a março de 2021. Um ano de “improviso pedagógico”, de EAD “à la carte” e que está proibido sequer chamar de EAD, como se houvesse uma “maldição” intrínseca a esta denominação, a qual, por si só, teria o poder de implantar a exclusão social!

Estranho, pois mais exclusão social e disparidade de igualdade de condições ao acesso e permanência do que o “sincretismo pedagógico” que estamos vivendo é impossível! A negação de que estamos fazendo – de forma precária, pobre e improvisada – EAD é que acaba gerando ainda mais exclusão e desigualdade!

Costumo dizer que eu posso chamar o porquinho de periquito, mas ele continua sendo um porquinho…

Os professores estão adoecendo (muitos, como eu, com crise de ansiedade) porque, já que não existe um Plano Unificado Formal, todo mundo atira para todo lado e, neste sentido, para que pareça que existe um mínimo de organização e controle, as cobranças são cada dia maiores e mais intensas, são documentos e mais documentos para preencher, planilhas e mais planilhas…Quantas vezes sonho que há uma planilha que não preenchi, um Plano que não foi feito, e acordo assustado no meio da noite… Sonhos tão vívidos e reais que já cheguei mesmo a ligar o computador, para “tirar a prova”…

As equipes gestoras, assoberbadas de serviço e com várias novas atribuições, decorrentes de ter de “controlar” as atividades remotas de professores e alunos, também tem de continuar mantendo a sua mediação politica junto às comunidades. Entre a Secretaria, os profissionais de educação e as comunidades escolares, vão “escorregando” e “se equilibrando” como podem…

Uma vez que que meus colegas tem o vício de tomar toda crítica como sendo pessoal, como sendo ao trabalho deles (incapazes que muitos deles são de ter uma visão mais global e mais abrangente, uma visão de conjunto que vá para além dos muros da escola onde atuam), já vou dizendo que tenho uma grande sorte, que eu sou abençoado, pois, em meio a toda esta situação calamitosa, estou no melhor dos mundos.

A escola do Oziel é um porto seguro, uma ilha de assertividade e proatividade, em meio aos mares revoltos, nos quais o Sistema Municipal de Educação de Campinas parece estar à deriva!

Ah… Pra finalizar… Antes que venham me acusar disso ou daquilo, porque dou nome aos bois/instâncias, deixo bem claro que tenho 55 anos, 35 anos (completos dia 03/03) atuando no serviço público, já ocupei as mais diversas funções durante este tempo todo na Rede Pública Municipal de Campinas, não tenho “rabo preso” com ninguém e nem devo favores a quem quer que seja.

O cargo que eu ocupo é meu, conquistado em concurso público.

Estou apenas esperando a aposentadoria.

Obrigado a quem leu até o final.

A eterna questão da “Proclamação” da República no Brasil…

Não sou monarquista. Já até escrevi me posicionando a este respeito (Porque não sou monarquista), uma vez que alguns de meus textos (especialmente: A “democracia coroada” e a experiência dos Conselhos) foram apropriados pelo movimento de restauração monárquica.

O que eu não gosto é de desonestidade intelectual, e nem muito menos de hipocrisia. Justificar o GOLPE MILITAR, a quartelada, que instituiu a República, sem nenhuma participação popular, em 15/11/1889 e a República Oligárquica (1889-1930) como “necessários” ou como uma etapa em direção ao “progresso” e à “democracia” é que faz com que os brasileiros até hoje convivam com manifestações da extrema direita.

Foi nostalgia de 15 de novembro, na realidade uma reação conservadora que impediu uma mulher de governar, que motivou todos os demais golpes posteriores, como o 31 de março de 1964.

No exato sentido do que iria escrever, anos depois, Giuseppe Tomasi di Lampedusa (“algo deve mudar, para que tudo continue como está”), os militares positivistas julgaram menos traumático para o país mudar a forma e o sistema de governo (de Monarquia Parlamentar para República Presidencialista), não apenas mantendo o patriarcado e as estruturas socioeconômicas intactas, como também criando um Presidente da República com poder muito maior do que havia sido o do Imperador, que deixar uma mulher governar!

Que o digam as vozes que foram caladas e aqueles que foram invisibilizados…

D. Obá II, o “príncipe do povo”, que teve a patente cassada pelos republicanos e foi achincalhado pela República…

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé e texto

Lima Barreto, neto de escravos libertos, que enxergava o futuro III Reinado, como um novo patamar civilizatório…

André Rebouças, engenheiro negro e amigo pessoal de Isabel, embarcou, juntamente com a família imperial, com destino à Europa. Por dois anos, ele permanece exilado em Lisboa, como correspondente do The Times de Londres. Posteriormente, transferiu-se para Cannes, onde permaneceu até a morte de D. Pedro II, em 1891. Nunca mais regressou ao Brasil…

José Carlos do Patrocínio, farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro. Destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Monarquista no país. Foi também idealizador da Guarda Negra da Redentora, que era formada por negros e ex-escravos, sendo vanguarda do movimento negro no Brasil e formada para proteger a Monarquia contra a aristocracia e os militares.

As “Guardas Negras”, surgidas no seio do “Isabelismo”, formada por libertos e que incorporavam mulheres em suas fileiras…

A Geledés – Instituto da Mulher Negra, já publicou belo texto de Sueli Carneiro (A Carta da Princesa) sobre a hoje famosa (porém esquecida por mais de 100 anos!) carta da Princesa Isabel, em que ela propunha a Reforma Agrária, com terras destinadas aos recém libertos, que se encerra da seguinte forma: “Três meses após a data dessa carta, a princesa e o Imperador foram depostos e desconhece-se o destinos dos tais fundos. É o Brasil, desde sempre.”

Nenhuma descrição de foto disponível.

A respeito da mesma carta, o JORNAL DE BRASÍLIA destaca: “O conteúdo da carta revela uma monarca com visão progressista e comprometida com essa visão de inserção dos negros na sociedade. Há também uma menção sobre uma concepção feminista da princesa, o que se mostra arrojado para a época.”

Se não tivesse acontecido o Golpe de 15 de novembro de 1889, o Brasil continuaria a ser uma Monarquia Parlamentar, teria havido o Terceiro Reinado, da imperatriz Isabel, com voto feminino já em 1890 e Reforma Agrária, com lotes de terras destinados aos recém libertos.

Lembrando sempre que Isabel, foi a primeira Senadora do Brasil, exerceu o poder e governou de fato o país como Regente em 3 ocasiões. No governo, Isabel privilegiou questões que hoje chamamos “sociais”, tais como a Educação e a Emancipação (libertação) das Mulheres – Isabel chegou a dizer: “Se a mulher pode governar, deve também poder votar!”) – e das pessoas escravizadas. Talvez por isso mesmo, a aristocracia que dominava o país, a exemplo do que aconteceu com sua bisavó, Maria I,  a considerava “incapaz de governar”.

Talvez agora o leitor entenda melhor porque eu digo que o 15 de novembro na realidade foi uma reação conservadora…

Estes questionamentos encontravam-se já esboçados na esplêndida Dissertação de Mestrado de minha amada amiga Rachel Bueno , O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO REPUBLICANA NA VISÃO DE EUCLIDES DA CUNHA, leitura que eu recomendo a todos que, como eu, amam História e não se contentam com explicações superficiais ou com o senso comum.

Obs: Reconheço que uma Monarquia Parlamentar pode ser até mais moderna e mais democrática do que uma República Presidencialista. Quem governa de fato é o Primeiro Ministro, que representa sempre o partido que tem o maior número de assentos no legislativo. Isto traz harmonia entre os poderes. Vejam por exemplo os países nórdicos como Suécia, Dinamarca, Noruega, ou mesmo a Bélgica e a Holanda… São primores de Democracia e já foram conhecidos como “Estados de Bem Estar Social”! O problema é que, no caso brasileiro, os expoentes da família imperial que se propõe à restauração monárquica representam tudo de pior e mais atrasado que há em nosso país. Não são liberais ou progressistas como foi D. Pedro II (só para se ter uma ideia o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a descriminalizar a “sodomia”, que é como chamavam a homossexualidade no século XIX, tínhamos uma próspera indústria nascente, graças principalmente ao Barão de Mauá e a segunda marinha do mundo!), são ultra reacionários e de extrema direita! O problema, como sempre no Brasil, não está no cargo de Imperador em si, mas nos “candidatos” que estão dispostos a ocupá-lo!

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